Poucas são as tradicionais mercearias ainda em funcionamento nos dias hoje, o que é pena. Longe vão os tempos em que ir às compras era uma actividade prazerosa e até de certo modo terapeutica, com os simpáticos donos atrás do balcão que no final ainda nos davam uns flocos de neves ou umas pastilhas gorila de troco. Hoje a mercearia foi substituída pelo super, hiper e (um diga destes) megasupermercado e consequentemente com ela foram os flocos de neve de “bónus”.
Os tapetes rolantes que direccionam os produtos até à máquina de leitura de código de barras tornaram-se, juntamente com o empregado de caixa, um dos maiores inimigos do vulgar português. Se por um lado os tapetes rolantes incrivelmente nunca estão desocupados no momento em que se chega à caixa para pagar, por outro lado o empregado nunca se presta para o facilitar. Vê o cliente chegar, olha-o de sorriso hipócrita rangendo entre dentes “espera aí tu também qu’eu também esperei 9 meses para nascer” e faz de tudo para que não tenha que desocupar o espaço do tapete para que a próxima vítima que se avizinha possa descarregar as compras. Pronto, está tudo a postos para o início da tourada.
Primeiro a pergunta que baralha logo o vulgar português sobre o cartão de descontos (quando este no mínimo dispõe 30 cartões na carteira, entre eles o da ração para os cães), logo a seguir pergunta “Quer saco? Quantos?” e naquele instante, mas com ar de quem tudo sabe, vê-se obrigado a por à prova todos os seus conhecimentos de gestão volumétrica e armando-se em Robocop de bigode, varre de rajada com o olhar o tapete cheio de produtos contabilizando “coisas”, ao mesmo tempo que apercebe que tirou amaciador da prateleita em vez de shampô. Mas ao responder “3”, ao número de sacos que precisa mesmo sem saber se será suficiente, já está o empregado de caixa a atirar desalmadamente as compras para a plataforma da etapa final: o ensacamento. E é aqui que a “magia” acontece. Se já está irritado por não conseguir abrir o saco, esmifrandos os dedos contra as películas de plástico, fica fora de si ao perceber que o empregado, de olhar provocador e intimidatório, insiste a atirar cada vez mais produtos pra cima e que o tapete (em constante movimento) os amontua aleatoriamente naquele caos. E como se já não fosse pouco todo o estado de nervosismo com o saco que não abre, o empregado a vomitar compulsivamente produtos para um tapete frenético, sem conseguir pôr nada dentro dos sacos, mais o bip irritante da leitura do código de barras, percebe que o cartão de crédito que precisa está na carteira! Retira o cartão, deixando evoluir o monte de compras que entretanto começa a achar serem desnecessárias para aquele dia, e nisto o empregado pergunta “Vai pagar com cartão o cartão ou em dinheiro?” e ao português só lhe apetece dizer “oh c*r*lh* pra qué que achas que tirei o cartão? Pra fazer uma risca de coca em cima do tapete?!”
E nisto toda a sua raiva emerge atirando pra dentro dos sacos mal abertos as compras que já não sabe se são suas ou se da outra pessoa que vinha atrás de si mas já está a ser atendida, acabando por romper com os sacos e sair do hipermercado a mancar para que as compras não vão parar ao chão.
Jura não mais lá voltar, mas no dia seguinte lá está ele outra vez.
Os tapetes rolantes que direccionam os produtos até à máquina de leitura de código de barras tornaram-se, juntamente com o empregado de caixa, um dos maiores inimigos do vulgar português. Se por um lado os tapetes rolantes incrivelmente nunca estão desocupados no momento em que se chega à caixa para pagar, por outro lado o empregado nunca se presta para o facilitar. Vê o cliente chegar, olha-o de sorriso hipócrita rangendo entre dentes “espera aí tu também qu’eu também esperei 9 meses para nascer” e faz de tudo para que não tenha que desocupar o espaço do tapete para que a próxima vítima que se avizinha possa descarregar as compras. Pronto, está tudo a postos para o início da tourada.
Primeiro a pergunta que baralha logo o vulgar português sobre o cartão de descontos (quando este no mínimo dispõe 30 cartões na carteira, entre eles o da ração para os cães), logo a seguir pergunta “Quer saco? Quantos?” e naquele instante, mas com ar de quem tudo sabe, vê-se obrigado a por à prova todos os seus conhecimentos de gestão volumétrica e armando-se em Robocop de bigode, varre de rajada com o olhar o tapete cheio de produtos contabilizando “coisas”, ao mesmo tempo que apercebe que tirou amaciador da prateleita em vez de shampô. Mas ao responder “3”, ao número de sacos que precisa mesmo sem saber se será suficiente, já está o empregado de caixa a atirar desalmadamente as compras para a plataforma da etapa final: o ensacamento. E é aqui que a “magia” acontece. Se já está irritado por não conseguir abrir o saco, esmifrandos os dedos contra as películas de plástico, fica fora de si ao perceber que o empregado, de olhar provocador e intimidatório, insiste a atirar cada vez mais produtos pra cima e que o tapete (em constante movimento) os amontua aleatoriamente naquele caos. E como se já não fosse pouco todo o estado de nervosismo com o saco que não abre, o empregado a vomitar compulsivamente produtos para um tapete frenético, sem conseguir pôr nada dentro dos sacos, mais o bip irritante da leitura do código de barras, percebe que o cartão de crédito que precisa está na carteira! Retira o cartão, deixando evoluir o monte de compras que entretanto começa a achar serem desnecessárias para aquele dia, e nisto o empregado pergunta “Vai pagar com cartão o cartão ou em dinheiro?” e ao português só lhe apetece dizer “oh c*r*lh* pra qué que achas que tirei o cartão? Pra fazer uma risca de coca em cima do tapete?!”
E nisto toda a sua raiva emerge atirando pra dentro dos sacos mal abertos as compras que já não sabe se são suas ou se da outra pessoa que vinha atrás de si mas já está a ser atendida, acabando por romper com os sacos e sair do hipermercado a mancar para que as compras não vão parar ao chão.
Jura não mais lá voltar, mas no dia seguinte lá está ele outra vez.
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